Arquivo para Julho, 2008

Crash – No Limite / Crash (EUA, 2004)

O Oscar de 2004 entrou para a história por uma polêmica: a Academia teria premiado Crash no lugar de Brokeback Mountain porque é conservadora, quadrada, retrógrada, blá, blá, blá. Faltou observar o fato de que tanto um quanto outro são filmes francamente menores – mesmo o longa de Ang Lee é bastante convencional, cinematograficamente falando. A Academia quis ser moderninha e fugir da polêmica – era o ano de Munique também – premiando um filme “esperto” sobre o racismo nas grandes cidades norte-americanas. Deu no que deu: ninguém se lembra mais de Crash, quatro anos depois.

Cito a sinopse do Yahoo Cinema porque ela resume bem o espírito do filme: “[...] encontro de vários personagens totalmente diferentes nas ruas de Los Angeles: uma dona-de-casa e seu marido, promotor público, da alta sociedade; um lojista persa; um casal de detetives da polícia – ele afro-americano, ela latina -, que também são amantes; um diretor de televisão afro-americano e sua esposa; um mexicano especialista em chaves; dois ladrões de carros da periferia; um policial novato; e um casal coreano de meia-idade.”

Contando com um elenco de primeira, o diretor e roteirista Paul Higgis entrelaça as histórias, ao estilo Robert Altman, mas sem a graça e o sarcasmo deste; Haggis quer passar uma mensagem: de que precisamos ser tolerantes e aceitar o outro, mesmo na superpovoada Los Angeles. Para isso, o roteiro se desdobra em maniqueísmos e manipulações que até funcionam vez ou outra, mas não sustentam a história todo o tempo. O resultado é irregular, o que já é grande coisa em se tratando de um projeto com objetivos tão rasos – não, Crash não é um embuste; é apenas um projeto equivocado em seu bom-mocismo que não dá espaço para a tragédia e a verdadeira redenção de seus personagens. É um filme competente, bem realizado, embora com cara de episódio de Cold Case. Merecem destaque as boas atuações de Brendan Fraser, Sandra Bullock e Don Cheadle.

Cotação: ***

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Medo e Obsessão / Land of Plenty (EUA, 2004)

Durante um bom tempo nos anos 80 e em parte graças a dois ótimos filmes, Paris, Texas e Asas do Desejo, Wenders foi um nome lembrado e cultuado – seu último projeto a ganhar repercussão foi o resgate da música cubana de Buena Vista Social Club de 1999. Em Medo e Obsessão, ele retoma o olhar estrangeiro sobre os Estados Unidos, agora sob a sombra dos atentados de 11 de setembro. Mas o resultado não é muito animador.

Paranóico depois do 11/9, o militar da reserva Paul (John Diehl) patrulha as ruas com um furgão enfeitado com todo tipo de tranqueira tecnológica. Seus únicos amigos são um sujeito quase tão paranóico quanto ele e sua sobrinha Lana (Michelle Williams), uma jovem dedicada a causas humanitárias. Eles se unem para investigar o assassinato de um imigrante paquistanês.

Medo e Obsessão é um filme destrambelhado, que dá a impressão de ter sido escrito às pressas. Ele oscila entre os dois extremos: a loucura de Paul e a bondade quase infinita (e irreal) de Lana. Tornam-se caricaturas na primeira metade do filme, que trata de humanizá-las a medida em que a tal investigação os leva a uma América miserável, habitada por branquelos solitários e imigrantes ilegais. Há um quê de Central do Brasil aqui, ao unir um homem desiludido e uma companheira mais jovem rumo ao coração desconhecido do país; é como se Wenders quisesse dizer que os EUA de verdade são aqueles paquistaneses perdidos no meio do deserto, vivendo em trailers decadentes, mas dispostos a receber bem quem lhes visita.

Aliás, é incrível que o diretor realmente acredite que o púiblico não saiba, desde o início da busca de Paul aos culpados pelo assassinato do paquistanês, no que aquilo tudo vai dar – em reconciliação com o passado e o presente. Sintomaticamente, a cena final se passa no Ground Zero, quando Lana diz que “talvez os mortos não queiram que se lute mais por eles” (cito de cabeça). Uma frase explícita que constrasta com a delicadeza da cena de Paris, Texas em que o Travis de Harry Dean Stanton reconquistava seu filho simplesmente caminhando com ele do outro lado da rua.

Cotação: **

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O Nevoeiro / The Mist (EUA. 2007)

Frank Darabont é o cineasta mais especializado do mundo: de seus quatro filmes já produzidos, três são adaptações de Stephen King. Começou com o ótimo Um Sonho de Liberdade, passou pelo mediano e superestimado Em Busca de um Milagre e agora finalmente rende-se ao terror com este O Nevoeiro. Convém não confundi-lo com The Fog, de John Carpenter, de 1980 e refilmado de forma preguiçosa em 2005. Em The Fog, a névoa traz mortos sedentos de sangue; em The Mist traz criaturas bizarras sedentas de sangue. Mas as semelhanças terminam aí.

O artista David Drayton (Thomas Jane, parecidíssimo com o Christopher Lambert em início de carreira) é surpreendido por uma árvore que destrói parte de sua casa durante uma tempestade. A intrusa inutiliza o cartaz que ele estava pintando para a estréia de um filme (por acaso, A Torre Negra, do próprio King). Sem opções, pega o filho e vai até o supermercado local. Aparentemente, toda a cidade fez o mesmo, já que a tempestade que derrubou a árvore deixou as casas sem luz e telefone. Apriosionados no supermercado por uma névoa densa que desce das montanhas, as pessoas vão descobrindo estar rodeadas por seres estranhos, imensos e cruéis e apenas o vidro da fachada os separa deles. Os conflitos entre os habitantes surgem e talvez ficar dentro do supermercado seja tão perigoso quanto tentar enfrentar as criaturas do lado de fora.

Darabont é conhecido por seu cinema cuidadoso, correto, pela absoluta falta de pressa em contar uma história – no que lembra um pouco outro cineasta atual, o indiano Shyamalan. Aqui, Darabont sabiamente joga boa parte do seu estilo para o limbo e por vezes adota uma câmera mais suja e próxima dos personagens – afinal, é uma história de terror. O filme divide-se entre a ameaça representada pelo mundo bizarro que toma conta do lado de fora do supermercado e à crescente tensão entre os sobreviventes, abrigados no meio de prateleiras. Infelizmente, o desenvolvimento dos dois núcleos de tensão é problemático.

As criaturas assustam enquanto não são vistas; os monumentais tentáculos que adentram o portão e tomam um jovem remetem aos monstros de H.P.Lovecraft, tão horríveis que não podem ser descritos em palavras. Quando, ao final, um dos pobres-coitados (o ótimo Toby Jones, que fez Truman Capote em Infamous) é capturado por um ser imenso que se parece com um caranguejo gigante, fica-se com medo porque não é possível ver de fato o bichão, que permanece oculto pela névoa. Eles não ligam para nós, nossos medos e histórias; como os Velhos Antigos, estão alheios a nossa existência. Quando alguns dos seres são vistos e combatidos, todo este efeito se perde e o filme se torna uma versão sem graça de Jurassic Park ou (o que é pior) um Evolução metido a besta. Quanto a relação entre as pessoas presas no supermercado, Stephen King saca da manga um artifício bem conhecido por seus fãs: a presença de um fanático religioso cristão, honra que cabe a Sra. Carmody (Marcia Gay Harden). Ao invés de mostrar conflitos nascidos da natureza humana, eles são simplificados com a polarização entre os que acreditam nas palavras de Carmody (tão sanguinária quanto os monstrengos) e os que, munidos de razão, escapam a seu julgo medonho. Talvez tenha faltado um pouco de William Goldwing a King e os roteiristas.

Enfim, o elemento mais aclamado e criticado do filme é seu desfecho. Não vou revelá-lo, mas basta afirmar que uma decisão difícil resultará trágica – e pior: aparentemente inútil. É um final incrivelmente forte, que funciona apenas porque o filme que o precedeu raramente supera o mediano; chegamos a ele algo anestesiados. Neste aspecto, é o oposto das reviravoltas do já citado Shyamalan, em que ela se integra a narrativa para resolvê-la; Darabont atira a todos nós no abismo e não nos dá a passagem de volta. Seu filme resulta inquietante exatamente porque não temos muita certeza do que acabamos de ver – e seria melhor se não tivéssemos mesmo visto com tanta clareza antes. De qualquer forma, nos últimos segundos o espectador pode ser induzido a pensar que tudo não passou de uma alucinação de Drayton, afinal toda a história é contada de seu ponto de vista. O que torna sua ação final ainda mais horrível.

Curiosidade: Preste atenção e você verá, nos primeiros minutos, no estúdio de Drayton, o cartaz de Enigma do Outro Mundo/The Thing, obra-prima do suspense-terror-ficção científica-nojeira (esqueci alguma coisa?) de John Carpenter.

Cotação: ***

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Idiocracia / Idiocracy (EUA, 2006)

Se no ótimo desenho animado de Matt Groening, Futurama, um completo idiota é congelado acidentalmente e acorda num futuro tecnologicamente avançado e bizarro, em Idiocracy um sujeito absolutamente tapado é congelado num experimento militar, esquecido e descongelado num futuro habitado por pessoas ainda mais estúpidas do que ele próprio. Dirigido por Mike Judge, um dos responsáveis por Beavis e Butt-Head, símbolo da MTV dos anos 90, e escrito por ele e Etan Cohen (não, não é um dos irmãos Cohen), Idiocracia foi lançado diretamente em DVD no Brasil em qualquer alarde. Quem o locou sem saber do que se tratava, muito provavelmente ficou decepcionado, pois não é exatamente uma comédia, mas uma visão da nossa idiotice elevada às últimas consequências.

Joe Baeurs (Luke Wilson, com a cara de paspalho perfeita) é um soldado que se contenta em trabalhar na biblioteca do exército, sem fazer nada de especial. Na verdade, tem verdadeira aversão a qualquer responsabilidade. Selecionado exatamente por ser inútil, acaba numa câmara criogênica – na outra está uma prostituta, Rita (Maya Rudolph). No futuro distante, eles são descongelados quando a imensa pilha de lixo que se acumulava desmoronou sobre a cidade. Joe conhece Frito (Dax Sheppard), um típico coach potato que jura conhecer a localização de uma máquina do tempo que o levará de volta a sua época. De acaso em acaso, Joe é perseguido e considerado o homem mais inteligente do mundo, tornado-se consultor do Presidente Camacho (o ótimo e gigantesco Terry Crews, o pai de Chris em Everybody Hate Chris), ex-lutador de luta livre e ator pornô.

Irônico do primeiro ao último minuto, Idiocracy não é sempre engraçado, mas consegue ser inteligente o tempo todo – a exceção de uma ou duas piadas mais óbvais. Somos apresentados a um futuro inacreditavelmente plausível (o que não significa que seja possível, claro) para uma comédia, em que a estupidez mediana criou um mundo habitado por adultescentes dependentes da televisão, do estado e de grandes empresas. É um filme que deve ser assistido com atenção redobrada, pois há um cuidado quase obsessivo com detalhes, cartazes, anúncios e letreiros que ajudam a construir o cenário e o enriquecem. Em certos momentos, parece algo saído da cabeça de Terry Gilliam ou Douglas Adams, e os efeitos especiais e o narrador que interfere na trama algumas vezes lembram alguns dos bons momentos do Monty Python. Não que chegue ao mesmo brilhantismo, mas é inegável que Idiocracia não é apenas uma visão satírica do destino do norte-americano médio, como alguns brasileiros bocós vão querer alertar, mas uma visita ao mesmo tempo engraçada, surreal, triste e exagerada de um mundo que está sendo construído hoje em dia.

O grande astro da TV deste futuro é um imbecil que sempre recebe chutes nas partes sensíveis de sua anatomia; a repetição desta gag é o suficiente para fazer as pessoas rolarem no chão de rir. Improvável? Veja este vídeo da televisão japonesa e pense de novo.

Cotação: ***

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(Prova do descaso da Fox na distribuição do filme: não encontrei um site oficial)

Cloverfield – Monstro / Cloverfield (EUA, 2008)

Para quê o subtítulo “Monstro”? É uma estratégia para diminuir a bilheteria do filme, já que o título Cloverfield atrairia pessoas geralmente alérgicas a histórias sobre monstrengos destruidores de metrópoles? Seja lá que idéia havia na cabeça dos distribuidores nacionais, esta bizarríssima escolha de subtítulo ao menos não conseguiu estragar a boa surpresa que é Cloverfield.

Durante a festa de despedida do jovem executivo Rob (Michael Stahl-David), que vai para Japão, um evento catastrófico começa a destruir Nova York. Atônitos, ele, Hud (T.J. Miller), o cinegrafista responsável pela filmagem da festa, e amigos tentam fugir do caos que se instaura na cidade. Aos poucos, graças a imagens de reportagens na TV e a encontros ocasionais dos protagonistas com a criatura, descobrimos que um monstro descomunal está destruindo prédios e resistindo a toda tentativa de contra-ataque. Pior: Criaturas menores espalham-se pelo metrô, como parasitas, enquanto pessoas morrem vítimas de uma suposta doença transmitida por elas.

Produzido por J.J.Adams, criador da série Lost e diretor do próximo Jornada nas Estrelas, Cloverfield é dirigido com competência por Matt Reeves, que se esforça para que acreditemos realmente que tudo o que vemos são cenas coletadas de uma filmadora. Não consegue o tempo todo, claro, e cabem aqui algumas considerações sobre a linguagem cinematográfica: o cinegrafista Hud sempre consegue o ângulo que reforça melhor a ação ou o drama, capta o som com clareza. O fato é que não dá para abandonar certas convenções, sob risco de tornar a história absolutamente incompreensível – uma possibilidade real, já que boa parte do público reage mal a filmes como este. A sujeira, crueza e amadorismo de suas cenas são milimetricamente pensadas para se parecer exatamente com cenas sujas, cruas e amadoras captadas por um mané igual a qualquer um de nós. Equilibrando-se sobre esta aparente contradição, Reeves extrai algumas sequências genias, como quando a visão noturna da câmera revela uma coisa bem desagradável perto dos fugitivos. Porém, a graça de Cloverfield não reside em sua emulação de realidade, mas no fato de que, ao fazê-la, dá vazão a fantasmas e horrores típicos de nosso tempo. Quem não teme estar perdido como os novaiorquinos atônitos, andando de um lado para outro, cobertos de poeira e certos de que algo grande e horrendo estava acontecendo naquele 11 de setembro? É a este horror que o roteiro do novato Drew Goddard se refere; é por isso que, apesar de seus problemas, Cloverfield é tanto documento de uma era quanto outro filme de monstros, o excelente O Hospedeiro, é um retrato das contradições da Coréia do Sul.

Felizmente, há habilidade para conduzir a coisa toda, que poderia facilmente descambar para um Godzilla da vida. Sente-se medo legítimo em algumas cenas (coisa rara no cinemão de terror atual, mais afeito a copiar os orientais) porque o diretor consegue nos colocar ao lado dos protagonistas. E por mais que a divulgação do filme tenha sido incessante, não fazemos idéia do que está atacando a cidade. Sabemos que é um monstro, mas como ele é? De onde veio? E o que são aquelas criaturas do tamanho de um homem que apareceram com ele? A sorte do filme, ao contrário de Lost, é ter menos de duas horas de duração; antes que estes mistérios comecem a encher a paciência do espectador, Cloverfield acaba sem resposta alguma. Na verdade, nos últimos segundos dá para ver o monstro com detalhes – e, embora o seu design não tenha me impressionado, ele lança uma última pergunta: isso veio do mar mesmo? Provavelmente os fãs de Cloverfield nunca saberão ao certo, porque apesar das inúmeras pistas deixadas pelo diretor e pelo produtor Adams, este já afirmou que talvez não faça uma sequência.

Ao menos ele disse que o monstro é um filhote. Alguém tem curiosidade em saber o tamanho da mamãe deste singelo bebezinho?

Cotação: ****

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Querido Frankie / Dear Frankie (inglaterra, 2004)

Um dos meus maiores prazeres nesta vida de cinéfilo de educação errática e francamante caótica é descobrir um bom e pequeno filme ao acaso. E fui descobrir este Querido Frankie no lugar mais suspeito possível: uma sessão de cinema da TV aberta de sábado à noite. Felizmente, foi uma surpresa muito feliz.

Fugindo do marido violento, Lizzie (Emilie Mortimer) viaja de cidade em cidade, parando apenas um pouco para conseguir algum dinheiro num trabalho temporário e partir novamente. Leva sua mãe (Katy Murphy) e o filho mudo, Frankie (o garoto Jack McElhone, ótimo no papel), a tiracolo. Para não entristecer ainda mais o menino, Lizzie escreve e via cartas falsas a ele, fingindo ser o pai, marinheiro de um navio que ela viu num selo. Para seu azar, Frankie descobre que o tal navio vai atracar em poucos dias. Desesperada, procura a ajuda da dona do bar local, que consegue um sujeito (Gerard Butler, o Leônidas de 300) que fará o papel do pai de Frankie por certa quantia de dinheiro. Como desgraça pouca não é recheio suficiente para um bom dramalhão, eis que surge também o pai verdadeiro de Frankie, a beira da morte num hospital e louco para ver o filho.

Delicado e simples, Querido Frankie investe em situações pequenas e muitas vezes duras para caracterizar seus personagens, como quando a mãe de Frankie sai pela noite procurando um homem para fazer o papel de pai de seu filho e acaba dormindo num banco de praça, sem esperanças. A diretora Shona Auerbach e a roteirista Andrea Gibb também mostram incrível habilidade ao tratar cenas com potencial para o ridículo de forma sensível – quando, por exemplo, Frankie abraça seu pai falso, ou na sequência emblemática quando ambos correm pela orla marítima. Há ainda duas informações ao final que transformam em parte a história toda, acrescentando mais alguns elementos dramáticos que, surpreendemente, fazem sentido.

Contando com um ótimo e até então desconhecido elenco, um bom roteiro e bela fotografia, Querido Frankie é também um triste e sensível filme sobre o rito de passagem e o adeus a infância, tema que, aparentemente, não se esgotará tão cedo. Resta torcer para que este assunto encontre mais filmes como este.

Cotação: ****

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Wall-E (EUA, 2008)

Obra-prima. Filme perfeito. Escrevi sobre Wall-E no Universo Tangente.

Cotação: *****

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Provoked : Desejo de Liberdade / Provoked : A True Story (Inglaterra, Índia, 2006)

Kiranjit Ahluwalia (interpretada por Aishwarya Rai, atriz, modelo e ex-Miss Mundo) trilha o caminho tradicional de uma jovem indiana: casa-se com um homem benquisto pela sua família, Deepak Ahluwalia (Naveen Andrews, sim, o Sayid de Lost). Mas vai morar em Londres, onde sofre nas mãos do marido autoritário, alcóolatra, espancador, adúltero, arrogante e… falta alguma coisa? Narigudo, talvez, mas isso não é defeito. Enfim, a sofrida (porém sempre linda) indiana resolve flambar o meliante na própria cama do casal, acaba presa por homicídio e tem seu caso defendido por uma ONG.

Não há causa que resista ao tratamento convencional dispensado pelo veterano diretor Jag Mundhra a esta história real. Estão lá todos os clichês de filmes prisão: o choque, a aceitação e a descoberta das histórias por trás das companheiras e inimigas de cela. Fora das grades, a situação não é menos quadrada, acompanhandoos esforços de uma equipe disposta a provar a situação limite a que Kiranjit havia sido submetida. Filme sem grandes atrativos, chega a ser cansativo porque não trai, em momento algum, as nossas expectativas. Dá para adivinhar cada sequência e o desfecho de toda a trama.

Provoked não chega exatamente a ser ruim (como o medonho Nunca Mais), mas é preguiçoso, o que o torna irritante, a despeito da importância do debate que ele pretende suscitar.

Cotação: **

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