Posts Tagged 'comédia'

Meia-noite em Paris / Midnight in Paris (EUA/Espanha, 2011)

Sim, é verdade que Woody Allen é uma grife. Mesmo o relativo sucesso de seus últimos filmes não consegue esconder o fato de que ele filma para seus fãs. A gente (opa, hora da revelação óbvia) sabe mais ou menos o que esperar de uma produção alleniana, suas obsessões, o tipo de personagem, os dilemas, valores. Por este lado, Meia-noite em Paris não decepciona; por outro lado, surpreende pelo registro delicioso, simpático e universal de uma questão tão simples quanto básica: o passado é melhor do que o presente mesmo ou apenas o idealizamos?

Gil (Owen Wilson) é um bem-sucedido roteirista de Hollywood, noivo da superficial Inez (Rachel McAdams), filha de industriais ricos. Durante uma viagem a Paris, Gil se encanta pela cidade (detestada pelos sogros) e pela possibilidade de escrever, finalmente, um romance de verdade e não os roteiros convencionais nos quais se especializou. Idealizando a Paris dos anos 20, Gil acaba sendo transportado para lá por um carro que passa sempre no mesmo lugar a meia-noite. Conhece escritores e artistas e se envolve com a bela Adriana (Marion Cotillard), além de encontrar inspiração para escrever seu livro.

É surpreendente como um roteiro maciçamente recheado de referências culturais seja inteligível mesmo ao público que desconhece as figuras retratadas. Com pouco tempo em cena, sabemos, por exemplo, da instabilidade do casal Fitzgerald, sem precisar ser apresentados a qualquer um das obras de F. Scott. Allen pinça de cada personalidade seu traço mais marcante e o encaixa na trama sem jamais torná-los caricatos. A única exceção é intencional: Dáli, interpretado com graça e brilho por Adrien Brody (Rhinoceros!). Além disso, a, por assim fizer, atuação física da cada ator é perfeita: a dureza de Hemingway, a fragilidade de Zelda, a sinceridade de Gertrude Stein (Kathy Bates). Gil vai convivendo com eles e ganhando confiança para concluir seu romance, o que, claro, também lhe dará a segurança necessária para mudar sua vida no tempo presente.

Aliás, o presente e seus dilemas são a matéria-prima essencial deste filme. Allen parece repetir, de forma menos sarcástica e dura, a fala final de Boris em Tudo Pode dar Certo: o mundo é uma bagunça sem sentido, mas vale a pena viver. Gil é um sujeito desligado (sequer parece perceber quando é ofendido pela noiva e seus amigos), mas percebe, depois de algum tempo, que ancorar-se num passado idealizado não parece uma saída tão boa para seus problemas. Nisso, o filme parece-se com A Rosa Púrpura do Cairo; o que fica ainda mais claro quando descobrimos que Adriana deseja viver na Paris do século XIX. O filme ainda faz uma delicada ligação entre o passado e o presente, na forma de um diário escrito por Adriana, apenas para nos mostrar que Gil não está alucinando. O que vemos é real, aconteceu; é Allen brincando novamente no terreno do fantástico, depois de longos anos afastado.

Contando com um elenco inspiradíssimo com Owen Wilson a frente (ele é o alter-ego de Woody Allen, mas ao mesmo tempo alguém diferente, próprio) e um roteiro redondo, divertido e delicioso, Meia-noite em Paris tornou-se um sucesso de bilheteria inesperado – resiste bravamente em cartaz ao lado das produções de férias. Um triunfo.

Cotação: *****

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VIPs (Brasil, 2010)

Os assim chamdos “filmes baseados em fatos reais” na verdade não passam de uma tentativa de conferir sentido a própria existência do espectador. É como se, passando a mão na cabeça dele, o cinema dissesse: “Viu só? A vida parece um emaranhado de fatos e situações sem sentido algum, mas existe um rumo, existe um sentido”. É uma bobagem, claro, mas ela não impede um filme destes de ser bom. E VIPs é um exemplo disso – mas, assim como Em Busca da Felicidade, com Will Smith, tem que acrescentar uma boa dose de dramaticidade para funcionar. Dramaticidade que talvez não combine com o verdadeiro Marcelo da Rocha.

Marcelo (Wagner Moura) sempre sonhou em ser aviador, como o pai (Norival Rizzo). Abandonando a casa e as apreensões de sua mãe cabelereira (Arieta Correia), vai para o Mato Grosso do Sul, onde consegue ser o que deseja, mas a um preço: trabalhando para o tráfico. De volta ao Rio, decide se passar pelo filho do dono de uma companhia aérea, golpe pelo qual ficará nacionalmente conhecido. Baseado no livro da jornalista Mariana Caltabiano, VIPs – Histórias Reais de um Mentiroso.

Com a competência técnica da O2 Filmes, VIPs é dirigido pelo estreante Toniko Melo, publicitário que revela um bom olho cinematográfico, criando boas sequências e soluções. O roteiro se esforça em mostrar Marcelo como um sujeito sempre a procura de uma identidade, o que, de certa forma, explica seu camaleonismo (neologismo feio e recém-inventado, obrigado). Mas não explica sua obsessão em “ser alguém” – o que, para boa parte do Brasil dos anos 90 apresentado ali, significa ter a foto em determinadas revistas de celebridades e participar de um grupo pequeno de endinheirados.

Verdade seja dita: Wagner Moura leva o filme nas costas e tem consciência disso. Oscila com habilidade entre uma pureza quase apaixonante de seu personagem (expressa em seu grito de guerra bem adolescente, quase infantil) e suas obsessões. Perceba como, depois de se passar pelo famoso filho do dono da companhia, parece estar a um fio de perder a sanidade, arriscando-se em ações que não poderiam dar certo. Moura consegue aumentar as qualidades da produção com o foco que ela mantém em Marcelo e minimizar seus poucos defeitos (a trilha sonora, que algumas vezes, insiste em ser mais notada do que as falas dos atores).

Cotação: ***

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A Mulher Invisível (Brasil, 2009)

A comédia romântica é o mais escorregadio dos gêneros cinematográficos para um roteirista: é fato que o seu público já conhece a fórmula da coisa toda e, pior ainda, deseja que ela seja seguida à risca. Por outro lado, nada pode ser mais frustrante do que escrever uma trama em que cada passo já esteja pré-determinado pelas expectativas de quem irá assistir. Equilibrar uma necessidade com a outra é um trabalho alucinante e dificílimo, e é exatamente o que os roteiristas deste A Mulher Invisível, Cláudio Torres (também o diretor do longa) e Adriana Falcão, conseguem.

Pedro (Selton Mello) levou um vigoroso pé-na-bunda de sua mulher, Marina (Maria Luisa Mendonça), e conta apenas com a ajuda do melhor amigo, o solteirão e festeiro Carlos (Vladimir Brichta) para tentar superar a depressão pós-chute. Incapaz de se recuperar, Pedro cria uma mulher imaginária ideal, Amanda (Luana Piovani), sem perceber o interesse que sua vizinha, Vitória (Maria Manoella), tem por ele.

A Mulher Invisível é claramente uma aproximação a filmes norte-americanos que como Penetras Bons de Bico, no que eles têm de mais e de menos previsível. O final tanto de um quanto de outro é aquela resolução típica da comédia romântica, como se dissesse que, por trás de todo ogro (sim, são filmes com apelo ao público masculino) existe um sujeito sensível e engraçado. E as mulheres agradecem quando podem compartilhar alguns momentos no cinema com cenas com não envolvam batalhas espaciais, tiroteios em fábricas abandonadas ou perseguições de carro em auto-estradas. Voltando à comparação, se o final de A Mulher Invisível não surpreende, o caminho até ele é tortuoso, cheio de idas e vindas, fugindo àquela linearidade básica que conhecemos nas comédias românticas. Claro que isso tem um preço: para costurar as pontas soltas e entregar uma história redondinha, é preciso deixar a comédia um pouco de lado.

Os momentos cômicos, claro, estão nas bizarríssimas atitudes de Pedro que age o tempo todo como se tivesse uma mulher ao seu lado. É quando Selton Mello se sente à vontade para fazer rir sem nunca chegar ao exagero físico. Curioso também perceber como ele transmite a sensação de ser um sujeito com problemas psicológicos quando não está em companhia de sua Amanda – o olhar levemente vago, alguns gritos sem razão de ser. Luana Piovani consegue a proeza de encarnar a mulher ideal com suavidade, sem apelar a caras e bocas vulgares (que seria compreensível, afinal, Amanda é uma encarnação das fantasias masculinas), mas usando a voz e jeito de encarar Pedro para construir sua sensualidade e não as abundantes cenas em que aparece vestindo pouca, muito pouca, roupa. Aliás, a excelência do elenco merece destaque: a insegurança variável da Vitória/Maria Manoella, a amizade, a queda na real e a diversão de Carlos/Vladimir Brichta, sem deixar de lado, claro, Fernanda Torres como a irmã da vizinha apaixona – ainda que ela pareça possuída, vez ou outra, pelo espírito da Vani (Os Normais ). Os atores ainda têm a seu favor um bom desenvolvimento dos personagens, que deixam de ser apenas os coadjuvantes para influir decisivamente no desenrolar da história.

Sim, eu sei, já reclamei aqui de filmes nacionais com cara de especial de TV. A Mulher Invisível não nega esta influência óbvia, mas consegue ser mais cinematográfico, simples e bem resolvido do que a maioria dos produtos do cinemão brasileiro.

Cotação: ****

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Um Espírito Atrás de Mim / Ghost Town (EUA, 2008)

David Koepp é o diretor e roteirista desta comédia romântica. Parceiro habitual de Spielberg e cia., Koepp parece ter algum interesse no mundo além-túmulo, já que também dirigiu Kevin Bacon em 1999 no bom Ecos do Além. Infelizmente, ao trocar um suspense eficiente (ainda que tenha vindo a reboque do sucesso de O Sexto Sentido) pela comédia, acaba escorregando em clichês e realizando um trabalho que não passa de mediano.

Bertan Pincus (o ótimo Ricky Gervais) é um dentista anti-social, um londrino auto-exilado em Nova York, cuja vida consiste em rejeitar o contato com outras pessoas sob a desculpa constante de serem “estúpidas e chatas”. É, um Gregory House sem a genialidade. Depois de sofrer uma intervenção médica, passa a ver e ouvir espíritos que andam por aqui e que não conseguem passar para a outra vida por culpa de assuntos pendentes. Atormentado pelo espírito de um sujeito picareta e bom de conversa, Frank Herlihy (Greg Kinnear), acaba aceitando a missão de ajudar a sua ex-esposa e atual viúva Gwen (Tea Leoni). As coisas se complicam quando Pincus se apaixona por Gwen.

Quando Ghost Town começou, imaginei estar assistindo a Meu Vizinho Mafioso, o que não era um bom sinal. Logo, o filme se mostraria uma colagem de outros personagens e situações: o Pincus de Gervais mais de uma vez lembra o Melvin de Jack Nicholson em Melhor Impossível e a personagem Gwen parece ter sido criado pensando em Meg Ryan. No entanto, o trabalho dos atores é o ponto alto deste filme; são eles que tornam os personagens interessantes apesar do roteiro que teima em apostar em situações já velhas conhecidas do público. Não que isso realmente importe em se tratando de comédias românticas, cujas convenções engolem até mesmo um roteirista habilidoso como Koepp. Também não é novidade alguma que o gênero depende bastante de bons atores que saibam, digamos, entrar no clima da produção – apenas para citar um exemplo, P.S. Eu Te Amo está inteiro sobre os ombros de Gerard Butler.

Ghost Town não é ruim, mas talvez seja apenas uma boa Sessão da Tarde. Aposta no charme de Nova York, em seus atores (é gratificante ver Kinnear interpretando um sujeito que não faz cara de cachorro que caiu do caminhão de mudanças) e no apelo que o gênero espírita light tem junto ao público. Funciona? Sim, mas não dá para esperar muito mais do que isso.

Curiosidade: Alan Ruck, o eterno Cameron de Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller’s Day Off) faz um pequeno papel como um espírito.

Cotação: **

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Se Eu Fosse Você 2 (Brasil, 2008)

Confesso que tinha poucos motivos para ir ao cinema ver a continuação do sucesso de 2006. Eu não havia gostado muito do primeiro filme, mesmo com as atuações quase sempre irrepreensíveis de Tony Ramos e Glória Pires. E também confesso um certo preconceito com produções cinematográficas brazucas que têm cara de especial feito para a TV. É inegável que nosso incipiente cinemão comercial herdará vícios e características das produções televisivas; isso não é errado, nem significa que resultará em filmes ruins. Eu é que não acho um grande negócio fazer cinema pensando na telinha.

Mais uma vez, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Glória Pires) trocarão de papéis, mas bem no meio de um crise conjugal que pode levá-los ao divórcio. Ao mesmo tempo, a filha do casal, Bia (Isabelle Drummond), descobre estar grávida, precipitando o seu próprio casamento.

Com as expectativas tão baixas, fui surpreendido. Se Eu Fosse Você 2 entrega exatamente o que promete: humor rápido e simples, mesmo que às custas de qualquer surpresa em relação ao primeiro filme. Nem é preciso dizer que Tony Ramos e Glória Pires praticamente levam o filme nas costas. Aliás, Glória Pires parece estar muito mais a vontade nesta sequência, ainda mais masculina e natural nos menores gestos. Tony Ramos convence perfeitamente como Helena. Ambos trabalham com habilidade, sabendo exatamente onde ser sutil ou caricato, com um timing cômico que, infelizmente, escapa ao diretor Daniel Filho em algumas cenas – como no pesadelo de Helena ou no baile do casamento.

É um filme correto, sem surpresas, feito sob medida para um público acostumado a estética da televisão, sustentado pelo talento de dois dos melhores de nossos atores. Achei melhor do que o primeiro – a continuação se entrega com mais ímpeto ao humor, sem perder muito tempo com traminhas irritantes envolvendo o destino da agência de publicidade de Cláudio. Aliás, por que os roteiristas nacionais gostam tanto de criar personagens de classe média que trabalham com publicidade?

Cotação: ***

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Letra e Música / Music and Lyrics (EUA, 2007)

Talvez de todos os chamados filmes de gênero as comédias românticas sejam as mais formulaicas. É difícil, para não dizer praticamente impossível, encontrar uma produção que fuja aos padrões estabelecidos para o gênero: a mocinha bacana, porém sem sorte no amor; o sujeito bacana, mas um tanto desleixado ou desastrado para o romance; o encontro, a separação e o reencontro; os coadjuvantes interessantes. Neste universo restrito de possibilidades, chamam a atenção os filmes que conseguem ao menos parecer diferentes, mesmo sem fugir às convenções do gênero. É exatamente o caso deste Letra e Música.

Alex Fletcher (Hugh Grant, quem mais?) é um ex-astro pop dos anos 80 que vive de pequenos shows e da onda de revival oitentista dos trintões atuais. Ele tem a chance de voltar aos holofotes ao ser contratado para escrever a letra de uma música para a cantora Cora Corman (Haley Bennett), uma Britney Spears genérica. Para isso, acaba contando como a ajuda de Sophie Fischer (Drew Barrymore, quem mais?), uma desastrada aspirante a escritora que descobre ser capaz de escrever versos pop de qualidade – ou seja, grudentos e potencialmente bem-sucedidos.

O roteiro de Letra e Música acerta em cheio ao brincar de contrastes entre o cenário pop dos anos 80 e o atual; se Fletcher parece estar, o tempo todo, deslocado do cenário, as músicas de Cora Corman também parecem demonstrar um certo cansaço pasteurizado. Talvez seja algum saudosismo do diretor e roteirista Marc Lawrence (Miss Simpatia), mas a crítica, emboa sutil, é clara. Mas os grandes méritos de Letra e Música, além da boa idéia que faz a história andar, estão na dupla de protagonistas, mas especialmente em Grant. Completamente a vontade, ele dança de forma ridícula, diz suas falas com uma naturalidade desconcertante (algumas cenas parecem realmente improvisos aproveitados na edição final) e se diverte encarnando o cantor Alex Fletcher. Na verdade, o elenco todo está afiado, inclusive Barrimore, que consegue criar um novo personagem e não apenas repetir a Lucy do igualmente bacana Como Se Fosse A Primeira Vez. Não faltam, claro, algumas situações forçadas a uma ou outra gordura, sem as quais esta não seria uma comédia romântica digna de seu gênero. De fato, apesar da boa idéia, o desenvolvimento da história não consegue se livrar das convenções que citei logo no primeiro parágrafo e o filme, mais de uma vez, parece patinar ao redor de uma ou outra sequência.

Certamente, um filme sobre música pop teria que apresentar uma trilha sonora à altura e Letra e Música é tão bem-sucedido nisso que dá para ouvir as canções criadas para o filme sem mesmo saber que foram criadas especialmente para ele. Do impagável clipe que é exibido nos primeiros minutos (Pop Goes My Heart, da banda Pop de Alex Fletcher) a música-tema Way Back Into Love, são todos representantes dignas deste estilo de música onde cabem bandas que vão de Duran Duran e A-ha (claras influências na criação da fictícia Pop) a cantoras com Britney Spears e Christina Aguilera (também óbvias inspirações para a personagem Cora Corman).

É verdade que Letra e Música pode ser melhor descrito como comédia do como que romance e isso não é defeito.  A opção do roteiro em enfatizar a história simpática acaba tornando a dose de romance ainda mais significativo, culminando num final catártico perfeito e deliciosamente, assumidamente pop e brega – a propósito, sim, Hugh Grant teve aulas de piano e cantou e tocou para centenas de figurantes.

Cotação: ****

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De Cabelos em Pé/Blow Dry (EUA, Inglaterra, 2001)

Eu poderia começar fazendo alguma piada sem graça sobre o título em português deste filme, mas reconheço que a piada é a própria versão. De qualquer forma, como levar a sério um filme sobre cabelereiros que tem o slogan “Love is in the Hair”?

Não levando, claro. A história se passa em uma pequena cidade inglesa que sedia uma competição internacional de cabelereiros. Phil Allen (Alan Rickman, ótimo e levemente afetado) era um dos grandes cabelereiros do país mas decidiu retirar-se dos torneios; agora é sua ex-mulher, Shelley (Natasha Richardson) e sua atual namorada, Sandra (Rachel Griffiths, e não, você não entendeu errado; a namorada é dela) decidem concorrer. Contrariando o pai, o jovem Brian (Josh Hartnett) integra a equipe de sua mãe. No entanto, vários acontecimentos tornam a história ainda mais complicada: o rival de Phil, Ray Robertson (Bill Nighy) deseja o prêmio, Brian se apaixona pela filha de Ray e Shelley esconde de todos que está doente.

Mistura estranha de comédia e drama, Blow Dry não esconde, em momento algum, sua inspiração estética: o bregão, absurdo e divertido Vem Dançar Comigo/Strictly Ballroom, do australiano Baz Luhrmann, produzido quase dez anos antes. É da música-tema do filme de 1992 que vem o slogan de que falei, uma brincadeira com o título Love is in the Air. Blow Dry acerta o tom na maior parte do tempo, porque assume-se como farsesco, mas não atinge a ingenuidade de Vem Dançar Comigo – talvez porque, com todo o respeito a profissão dos cabelereiros, francamente, um concurso de penteados está longe de ser um evento excitante para a maioria de nós, ao contrário de uma exibição de dança. Pesa contra o filme também uma dose levemente exagerada de melodrama, que é usado para humanizar os personagens sem grandes novidades.

O elenco está ótimo: Rickman, Nighy, Natasha e Rachel encarnam seus papéis sempre no limite exato entre o absurdo e o fake, enquanto Josh Hartnett exibe um sotaque inglês convincente, ao menos para mim – o ator é americano. O diretor Paddy Breathnach sabe que está lidando com material absurdo e procura ângulos por vezes ridículos, lembrando em alguns momentos os trabalhos daquele tal Yahoo Serious que fez O Jovem Einstein - o que não é exatamente um elogio. Vale destacar, por motivos, digamos, machistas, a sequência final (o chamado “blow dry”, que consiste numa produção de corpo inteiro em que o penteado é parte do personagem representado pela modelo que desfila para o júri) com Rachel Griffiths.

Cotação: ***

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