Sunshine – Alerta Solar / Sunshine (EUA, 2007)

Há pelo menos dois filmes intitulados Sunshine que são dignos de nota: o belíssimo drama histórico do húngaro István Szabó, que no Brasil recebu o subtítulo de O Despertar de um Século, e esta ficção científica do polivalente Danny Boyle.

Boyle parece se esforçar para dirigir um filme completamente diferente do anterior: já falou de viciados e sua derrocada sem firulas (Traisnpotting), fez uma comédia musical-romântica amalucada com anjos (Por uma Vida menos Ordinária) e levou os zumbis ao século XXI (Extermínio). Não surpreende que ele tenha se aventurado pela ficção científica em 2007, adaptando o argumento pouco criativo deste Sunshine. A história é bastante simples: o Sol está se esgotando e a humanidade resolve salvá-lo metendo toda sua carga nuclear em uma nave, ironicamente chamada Ícaro I, e mandando-a diretamente para a estrela. Como se desgraça pouca fosse bobagem, o filme começa na Ícaro II, cuja missão é ser bem-sucedida onde a primeira nave se estrepou totalmente.

Cillian Murphy é o comandante da nave e da sua equipe multicultural e racial; contrariando a lógica, o bom senso e seguindo o manual James T. Kirk de decisões impactantes, interrompe a missão para abordar a Ícaro I, encontrada a deriva. É onde Sunshine se sai melhor e pior. Há uma interessantíssima atração que o Sol exerce em alguns dos astronautas e que se torna ainda mais obsessiva a medida em que se aproximam dele; as duas naves têm salas em que eles passam algum tempo sendo bombardeados pela luz e calor inclementes da nossa grande estrela amarela. Por outro lado, é esta sala que dará origem ao bizarríssimo inimigo que a equipe terá que enfrentar – o filme vai de 2001 a subproduto de Alien em menos de uma hora.

Aliás, Sunshine parece-se em quase tudo com a obra-prima de Kubrick – é clara a homenagem que Boyle lhe presta, criando algumas sequências gráficas de tirar o fôlego, ajudado pelo belíssimo design de produção das naves. Há uma grande e bem conduzida preocupação em se criar um mundo crível, como se uma nave como aquela e sua tecnologia fossem possíveis em poucos anos. Numa decisão acertadíssima, Boyle jamais mostra a Terra morrendo com o definhar do Sol, o que acabaria com todo o charme desta produção. Da forma com foi feito, Sunshine é um passeio fascinante e um tanto sombrio pelas motivações de pessoas isoladas e forçadas a cumprir uma missão maior do que suas ambições.

É uma pena que uma homenagem tão sincera e detalhada ao que de melhor o cinema de ficção científica já produziu perca boa parte de sua força num final convencional.

Cotação: ***

Página no IMDB
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