A Sogra / Monster-in-Law (EUA, 2005)

Em 1982, ET-O Extraterrestre era o grande filme que arrastava os pais, ou melhor, seus filhos os arrastavam para assistir à história do alienígena mais feio e simpático da história do cinema. Eu fui um destes moleques e, para a sorte de meus genitores, o tal filme era uma obra-prima da diversão entupida de merchandising do início ao fim. Entre os produtos derivados, estava o mais óbvio: um vídeogame para o modelo mais vendido da época, o Atari 2600. Quem tem menos de 30 anos provavelmente não tem idéia da inacreditável febre dos jogos eletrônicos dos anos 80; unir o filme mais popular do ano ao console de jogos mais conhecido seria garantia óbvia de cofres lotados de doletas. Os produtores só não contavam com a ruindade quase inacreditável do jogo criado por uma equipe que não teve tempo de concluir a programação com conforto. O fracasso de ET-O Jogo foi tão absurdo que a companhia que o produziu decidiu enterrar os cartuchos não vendidos no deserto do Novo México, torcendo para que o tal game fosse esquecido no limbo dos produtos desastrados.

E o que diabos isso tem a ver com A Sogra? Bom, se o mundo fosse um lugar justo e com um pouquinho apenas de mau gosto a menos, todos os DVDs, arquivos de computador e rolos originais desta produção estariam enterrados ao lado de ET-O Jogo. Dirigido por Robert Luketic (Legalmente Loira) e estrelado por Jennifer Lopez e Jane Fonda, é a pior comédia (aliás, é bem difícil categorizá-lo assim) a que já tive o desprazer de assistir.

Unindo uma direção preguiçosa a um roteiro batido e sem sal e um elenco que simplesmente não faz a menor idéia do que é timing cômico, A Sogra apela, sem dó, para todos os clichês supostamente engraçados possíveis. Quantas vezes já vimos seqüências absurdas que, poucos minutos depois, se revelam fruto da imaginação dos personagens? Ou alguém trocar o prato do desafeto apenas para provocar nele uma reação alérgica? Para coroar o desastre, nos últimos momentos do filme o roteirista enfia na trama um sujeito que tenta fazer piada com pedofilia. No entanto, e talvez para nossa sorte, nenhuma ação realmente tem grandes conseqüências na trama, é como se todo o filme fosse uma coletânea de piadas sem graça alguma.

Aliás, a única conseqüência despertada por este A Sogra é confirmar meu preconceito em relação à maioria dos filmes estrelados pela Jennifer Lopez: com pouquíssimas exceções, são bombas mesmo. E se considero A Sogra a maior delas é porque prezo a minha sanidade mental e jamais assisti a Gigli – o evento catastrófico que enterrou a carreira de um bom diretor, Martin Brest.

Cotação: 0

(Desta vez, sem site oficial nem página no IMDB; não sou de propagar doenças)

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