Um Céu Azul Escuro / Tmavomodrý svet / Dark Blue World (Inglaterra, República Checa, Alemanha, Dinamarca, Itália, 2001)

O checo Jan Sverak dirigiu em 1996 o filme Koyla, que no Brasil ganhou como subtítulo o mesmo daquele filme do Sean Penn e Dakota Fanning, Uma Lição de Amor, do qual se salvam Penn e a trilha sonora. Koyla, vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro, narrava a crescente afeição de um músico impedido de trabalhar graças a burrocracia comunista pela filha da mulher com quem deveria se casar, uma russa que foge do país com medo da polícia. Esta mesma atmosfera melodramática surge em Um Céu Azul Escuro, sem o mesmo brilho de antes, mas com grande dignidade.

Franta (o ator Ondrej Vetchy, que se parece com Robert deNiro à época de Taxi Driver) e Karel (Krytof Hadek) são dois amigos e aviadores que fogem da então Checoslováquia invadida pelas forças de Hitler rumo a Inglaterra, onde se juntarão à RAF em seu esforço de guerra. Em meio aos treinamentos e combates aéreos, apaixonam-se pela mesma mulher, Susan (Tara Fitzgerald), cujo marido foi dado como desaparecido há um ano, o que os levará a colocar a prova sua amizade e lealdade em pleno campo de batalha. Franta relembra estes acontecimentos enquanto se encontra preso em um campo de trabalhos forçados criado pelo estado comunista em seu próprio país natal. Quando voltaram da guerra, os aviadores que desertaram e lutaram ao lado dos aliados foram considerados perigosos e encarcerados nos malditos campos ao lado de ex-soldados alemães capturados. Fazem companhia a Franta o médico da SS Blaschke (Hans-Jörg).

Um Céu Azul Escuro é uma ótima reconstituição do período. Merecem destaque as batalhas aéreas, tão bem realizadas que é difícil, senão impossível, dizer o que foi feito com maquetes, aviões reais ou computação gráfica – e geralmente uma mesma tomada podia ter todos estes elementos. Basta dizer que este é o filme mais caro já realizado na República Checa, e o orçamento de grandes proporções deve-se especialmente ao trabalho técnico realizado, de altíssima qualidade. Rejeitando a estética espetaculosa de um, digamos, Pearl Harbor (provavelmente um dos piores filmes de guerra da história), Jan Sverak filma o tempo todo como se tivesse contado apenas com aviões reais, o que garante tensão e envolvimento durante os intrincados combates.

Infelizmente, o cuidado técnico não foi acompanhado na mesma medida pelo roteiro. Os diálogos são simples demais, quando não bem clichês e este é grande ponto fraco do filme. Por outro lado, a direção de atores é excelente, não havendo lugar para interpretações ruins, o que compensa a falta de lapidação dos personagens. Completam uma bela fotografia e boa trilha sonora, em que as músicas da década de 1940 são destaque.

Cotação: ***

Página no IMDB
Site oficial (em checo)

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