O Julgamento do Diabo / The Devil and Daniel Webster / Shortcut for Happiness (EUA, 2001, 2004 ou 2007?)

Não se engane com o nome que é creditado como diretor: Harry Kirkpatrick é um pseudônimo usado pelo ator Alec Baldwin para expressar seu descontentamento com os rumos que o filme teria tomado em sua pós-produção. Na verdade, esta produção foi tão confusa que suas filmagens aparentemente iniciaram-se em 2001 e, embora o IMDB o coloque no ano de 2004, só foi lançado mesmo em 2007. O resultado final é uma colcha de retalhos bizarra e sem grandes atrativos.

A primeira meia hora é promissora: Jabez Stone (Baldwin) é um bom escritor ainda não publicado, talvez não ótimo ainda, mas com potencial. Seus amigos incluem outros dois escrevinhadores: o extrovertido Julius Jenson (Dan Aykyroid) e o frágil Mike Weiss (Barry Miller). Stone desesperadamente procura um grande editor, Daniel Webster (Anthony Hopkins), que o diz para se esforçar mais. Acaba fazendo um pedido ao diabo (Jennifer Love Hewitt) e recebe o que deseja em troca de sua alma dentro de 10 anos: sucesso. Há ironia e um bom ritmo neste início; o mundo dos artistas é visto com humor e alguma desilusão. O próprio Daniel Webster lamenta com os olhos ter publicado apenas um punhado de escritores realmente memoráveis e uma maioria esmagadora de medíocres – que vendem muito bem e garantem a sobrevivência de sua empresa. Este embate entre o desejo sincero pela arte maior e a necessidade de pagar as contas ao final do mês é insinuado, nao escancarado. O Jabez Stone de Baldwin é bem intencionado, mas tão incrivelmente azarado que acabamos tendo simpatia por ele e seus esforços. Mas, a partir do momento em que o diabo aparece, todo o brilho do filme se esvai numa velocidade desconcertante.

Deste ponto em diante, O Julgamento do Diabo se torna um “filme com mensagem”. Não, pior do que isso, um “filme com mensagem de livro de auto-ajuda”, a saber: a fama corrompe e vale mais a pena a dignidade solitária do que o sucesso a todo custo. Dã… Este é o tom da segunda parte; ao final, Stone contratará o advogado Webster para defendê-lo e livrar sua alma da danação – acredito que ele seria obrigado a ler Sidney Sheldon e Harold Robbins no inferno por toda a eternidade. Logo, o diabo será julgado e não o pobre-coitado Stone. O júri é formado por escritores já falecidos, como James Joyce, Oscar Wilde, Truman Capote, Hemingway e… Jacqueline Susan? Meu Deus.

Enfim, Alec Baldwin estava certo em querer retirar seu nome desta confusão. Tolo e sem graça, visivelmente vítima de decisões equivocadas de produtores de Hollywood, é certamente uma versão bem diferente da imaginada pelo seu diretor seis anos antes de seu lançamento. Baldwin pediu aos fãs que boicotassem o filme, chamando-o de irreconhecível (até o título foi trocado, para Shortcut to Happiness/Atalho para a Felicidade). Sinceramente, é uma boa idéia.

Cotação: *

Página no IMDB

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