Idiocracia / Idiocracy (EUA, 2006)

Se no ótimo desenho animado de Matt Groening, Futurama, um completo idiota é congelado acidentalmente e acorda num futuro tecnologicamente avançado e bizarro, em Idiocracy um sujeito absolutamente tapado é congelado num experimento militar, esquecido e descongelado num futuro habitado por pessoas ainda mais estúpidas do que ele próprio. Dirigido por Mike Judge, um dos responsáveis por Beavis e Butt-Head, símbolo da MTV dos anos 90, e escrito por ele e Etan Cohen (não, não é um dos irmãos Cohen), Idiocracia foi lançado diretamente em DVD no Brasil em qualquer alarde. Quem o locou sem saber do que se tratava, muito provavelmente ficou decepcionado, pois não é exatamente uma comédia, mas uma visão da nossa idiotice elevada às últimas consequências.

Joe Baeurs (Luke Wilson, com a cara de paspalho perfeita) é um soldado que se contenta em trabalhar na biblioteca do exército, sem fazer nada de especial. Na verdade, tem verdadeira aversão a qualquer responsabilidade. Selecionado exatamente por ser inútil, acaba numa câmara criogênica – na outra está uma prostituta, Rita (Maya Rudolph). No futuro distante, eles são descongelados quando a imensa pilha de lixo que se acumulava desmoronou sobre a cidade. Joe conhece Frito (Dax Sheppard), um típico coach potato que jura conhecer a localização de uma máquina do tempo que o levará de volta a sua época. De acaso em acaso, Joe é perseguido e considerado o homem mais inteligente do mundo, tornado-se consultor do Presidente Camacho (o ótimo e gigantesco Terry Crews, o pai de Chris em Everybody Hate Chris), ex-lutador de luta livre e ator pornô.

Irônico do primeiro ao último minuto, Idiocracy não é sempre engraçado, mas consegue ser inteligente o tempo todo – a exceção de uma ou duas piadas mais óbvais. Somos apresentados a um futuro inacreditavelmente plausível (o que não significa que seja possível, claro) para uma comédia, em que a estupidez mediana criou um mundo habitado por adultescentes dependentes da televisão, do estado e de grandes empresas. É um filme que deve ser assistido com atenção redobrada, pois há um cuidado quase obsessivo com detalhes, cartazes, anúncios e letreiros que ajudam a construir o cenário e o enriquecem. Em certos momentos, parece algo saído da cabeça de Terry Gilliam ou Douglas Adams, e os efeitos especiais e o narrador que interfere na trama algumas vezes lembram alguns dos bons momentos do Monty Python. Não que chegue ao mesmo brilhantismo, mas é inegável que Idiocracia não é apenas uma visão satírica do destino do norte-americano médio, como alguns brasileiros bocós vão querer alertar, mas uma visita ao mesmo tempo engraçada, surreal, triste e exagerada de um mundo que está sendo construído hoje em dia.

O grande astro da TV deste futuro é um imbecil que sempre recebe chutes nas partes sensíveis de sua anatomia; a repetição desta gag é o suficiente para fazer as pessoas rolarem no chão de rir. Improvável? Veja este vídeo da televisão japonesa e pense de novo.

Cotação: ***

Página no IMDB
(Prova do descaso da Fox na distribuição do filme: não encontrei um site oficial)

0 Responses to “Idiocracia / Idiocracy (EUA, 2006)”



  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: