Saneamento Básico – o Filme (Brasil, 2007)

Jorge Furtado é talvez o mais pop dos nossos diretores e também o que melhor trafega entre a linguagem que a maioria dos brasileiros conhece, a televisiva, e a cinematográfica. Constrói seus filmes sobre esta tensão entre linguagens, mas privilegia largamente o cinema e isso fica muito claro neste ótimo Saneamento Básico, que investe num terreno pantanoso (sem trocadilhos): a metalinguagem. Para nossa sorte, Furtado sabe o que faz e transforma seu filme numa comédia simples e luminosa.

Numa minúscula cidade no sul do Brasil, um grupo de amigos deseja resolver um problema antigo: construir uma fossa que dê jeito no esgoto que corre a céu aberto. Já que a prefeitura, obviamente, não possui verba para tanto, eles descobrem que há uma valor relativamente pequeno dedicado a um concurso de filmes que, se não usada, será devolvida para Brasília. Logo, um bando de pessoas sem qualquer experiência na criação de filmes estará filmando o inacreditável O Monstro do Fosso, que visa aletar sobre os perigos da degradação ambiental por meio de uma história de ficção científica B.

São as cenas de criação deste filme dentro do filme os momentos inesquecíveis do longa. A personagem de Camila Pitanga recebe o nome de Silene Seagal, os atores mal conseguem interpretar suas falas decentemente e o tal monstro inventa uma dancinha meio funkeira toda vez que derruba um adversário. Há, nesta tosqueira divertida e não percebida pelos personagens, uma certa homenagem a ingenuidade apaixonada que, se não conseguiu nos legar bons filmes, ao menos os fez honestos e destrambelhados ao melhor estilo Ed Wood. Jorge Furtado ainda faz referência ao financiamento estatal de filmes com ironia, uma vez que o próprio Saneamento Básico bebe desta fonte.

Todo o elenco está ótimo. Fernanda Torres até começa o filme ainda lembrando a Vani de Os Normais, mas logo seu personagem fica claro em sua insegurança e no carinho com o pai, interpretado por Paulo José – que se esforça visivelmente em seu simpático papel. Wagner Moura, Lázaro Ramos, Bruno Garcia, Camila Pitanga, todos eles estão absolutamente convincentes como moradores simples de uma pequena cidade gaúcha. É a combinação destes ótimos atores e um roteiro eficiente que faz de Saneamento Básico um filme um tanto atípico (nada de favelas, policiais, traficantes nem pobrismo) no cenário nacional – e um programa prazeiroso.

Cotação: ****

Página no IMDB
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