Fome de Viver / The Hunger (EUA, 1983)

Fome de Viver foi um dos primeiros filmes a que assisti com um grupo de colegas do ensino médio que passaria a se reunir exclusivamente para ver fitas VHS na casa de um de nós. É bastante óbvio que um adolescente fica impressionado com a estética publicitária cheia de filtros e cortes brutos do diretor Tony Scott (sim, o irmão menos esperto de Ridley), que logo depois faria Top Gun. Nem é preciso mencionar que era também uma forma de ver uma cena um pouco mais excitante sem ter de apelar a uma produção, digamos, adulta – algo que nos era impossível conseguir numa locadora dos anos 80, já que nossas espinhas definitivamente escancaravam nossa meninice.

Miriam (Catherine Deneuve) e John (David Bowie) são dois amantes vampiros antiquíssimos, que vivem e caçam na Nova York do século XX. A morte de John, no entanto, leva Miriam a buscar um novo parceiro – ou parceira, já que Sarah (Susan Sarandon) está disponível.

Verdade seja dita: Fome de Viver é um videoclipe, não um filme. Aliás, se hoje em dia temos diretores de ação que conduzem seus filmes com o ritmo e o frenesi de um videoclipe (estou falando com o senhor mesmo, Michael Bay), eles devem tributo ao grande ancestral de todos – Tony Scott. Tudo bem que seja um bom videoclipe, mas é também estiloso e vazio – como convém a um produto com a cara da então emergente MTV. Os vampiros de Scott são bacanudos, cultos e belos; nada de alho, estacas, capas pretas por fora e vermelhas por dentro. São sutis e elegantes, mas ainda bebem sangue – e muito sangue – e vivem de forma amoral.

Erótico até a medula, Fome de Viver ficou famoso pela cena protagonizada por Sarandon e Deneuve na cama. É forte, bela e breguíssima com um piano ao fundo e um coro de mulheres cantando suavemente – propaganda de motel de primeira categoria. Mas é eficiente no que se propõe; talvez seja uma das cenas mais eróticas do cinemão, e protagonizada por um mito sexual e pela feia mais bonita de Hollywood. Merece destaque também a sequência inicial, em que o casal escolhe um novo parceiro numa danceteria. Com cortes rápidos que culminam num menáge a troi sangrento, é o veículo perfeito para a banda Bauhaus entoar Bela Lugosi is Dead. Infelizmente, é filme de estilo apenas, um exercício de edição e fotografia que tentou trazer os vampiros para os neons dos anos 80. Ficou pelo caminho.

Cotação: **

Página no IMDB

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