O Vale das Sombras / In the Valley of Elah (EUA, 2007)

Sim, o Todos os Filmes esteve fechado, não para reforma, nem (felizmente) por motivo de luto. De fato, dizer “fechado” seria exagero, mas lá se vão quase 15 dias desde a última atualização – bom, tentemos retomar o ritmo perdido e falemos logo de um filme, que é o que nos interessa. Paul Haggis é o roteirista e diretor deste O Vale das Sombras, e isso é um imenso avanço desde o oscarizado Crash – No Limite. Curiosamente, apesar do tema “quente” (guerra do Iraque), sua recepção foi morna: a crítica destacou a excelente interpretação de Tommy Lee Jones e só. Infelizmente.

Hank Deerfield (Jones) é um ex-oficial, orgulhoso pelo filho que está servindo no Iraque. No entanto, sua calculadíssima empolgação dá lugar a preocupação, quando o menino desaparece ao chegar aos EUA, e finalmente ao desespero, quando seu corpo é encontrado. Contando com a ajuda de uma policial (Charlize Theron), ele tentará descobrir o que aconteceu a seu filho.

Haggis faz um filme ainda menos comercial do que Crash. De fato, No Vale das Sombras é um tanto lento, perturbador e desesperançado. Não que isso deva ser confundido com maturidade, mas certamente demonstra a habilidade de Haggis em construir boas situações e personagens. Dirigido com mão propositadamente pesada, é uma pena que muita gente não tenha percebido a armadilha que o roteiro nos prepara. Tenso, solene, pesadão, todo o tempo o filme parece apontar para uma solução épica do crime: uma ocultação ou conspiração, algo maior que precisa ser denunciado. Nada poderia ser mais aterrador do que a descoberta de uma crueldade tão banal entre jovens – jovens demais – obrigados a tomar parte de uma guerra. É como se Haggis dissesse que eles trouxeram isso com eles e que o desejo de que sejam os mesmos sujeitos de antes é um absurdo, uma imensa bobagem. Claro, nem todos farão uma grande besteira ao voltar para casa, mas também é verdade que a minoria está realmente preparada para o que teve de enfrentar – também não deixa de ser sintomático que um dos soldados diga afirme odiar o Iraque para, logo em seguida, afirmar que só pensava em voltar.

Talvez o aspecto mais louvável de O Vale das Sombras seja o uso de um momento específico (a maior guerra na qual nos EUA estão envolvidos hoje) para falar de algo maior (as consequências da guerra sobre o homem comum, aquele que fica em casa e o que vai para o front) sem cair no denuncismo tolo. E, claro, estou apenas especulando, tenha sido isso que afastou a simpatia da Academia, majoritariamente democrata, deste ótimo trabalho de Haggis. As interpretações de Jones e Susan Sarandon (que faz o papel de sua mulher e mãe do filho desaparecido) merecem destaque, em especial a dolorosa cena em que Hank recebe a trágica notícia. Perceba como Jones deixa-se abater por meio segundo, seu corpo volta meio passo para trás e ameaça cair; ele se arruma, segura o desespero e tenta ser racional, enquantos os lábios tremem, denunciando o que lhe passa pela cabeça. É um gesto tão rápido que pode passar desapercebido, mas define o ótimo trabalho de composição do ator. A lamentar a tradução do título, que exclui a citação bíblica – o vale de Elá é o lugar em que Davi e Golias se enfrentaram.

Cotação: ****

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3 Responses to “O Vale das Sombras / In the Valley of Elah (EUA, 2007)”


  1. 1 Anderson Siqueira outubro 25, 2008 às 3:02 am

    Lento e com cenas monótonas, “No Vale das Sombras” teve seu roteiro assinado por Paul Haggis (“Crash – No Limite”), baseado em estória de Mark Boal (“Death and Dishonor”) e Paul Haggis. A trama, que levou cerca de um ano e meio para ser concluída, é muito mal organizada, tornando o filme medíocre.

    O patriotismo é gritante e chega a irritar o espectador. Tudo bem que estamos falando de um filme de guerra, mas nem isso justifica o excesso de aparições da bandeira estadunidense.

    As atuações em geral são ótimas e privilegiam a produção. A parte técnica é satisfatória. A produção não é das melhores. A trilha sonora é boa e tem canções como “House is Falling Down”, escrita e interpretada por Kathleen York e “Let it Shine”, escrita por John Avila e Rick Garcia e interpretada por Darian Cowgill.

    As gravações foram beneficiadas pelas boas locações, que foram rodadas em 28 locais na cidade de Albuquerque, no Novo México. Outras cenas foram feitas em Whiteville, uma pequena cidade próxima a Memphis, no Tennessee e ainda houveram gravações no Marrocos.

    “No Vale das Sombras” deixou a desejar, mas ainda assim é válido pela sua boa técnica e atuações.

    NOTA (0 a 5): 3
    ***

  2. 2 Anderson Siqueira outubro 25, 2008 às 3:04 am

    Lento e com cenas monótonas, “No Vale das Sombras” teve seu roteiro assinado por Paul Haggis (“Crash – No Limite”), baseado em estória de Mark Boal (“Death and Dishonor”) e Paul Haggis. A trama, que levou cerca de um ano e meio para ser concluída, é muito mal organizada, tornando o filme medíocre.

    O patriotismo é gritante e chega a irritar o espectador. Tudo bem que estamos falando de um filme de guerra, mas nem isso justifica o excesso de aparições da bandeira estadunidense.

    As atuações em geral são ótimas e privilegiam a produção. A parte técnica é satisfatória. A produção não é das melhores. A trilha sonora é boa e tem canções como “House is Falling Down”, escrita e interpretada por Kathleen York e “Let it Shine”, escrita por John Avila e Rick Garcia e interpretada por Darian Cowgill.

    As gravações foram beneficiadas pelas boas locações, que foram rodadas em 28 locais na cidade de Albuquerque, no Novo México. Outras cenas foram feitas em Whiteville, uma pequena cidade próxima a Memphis, no Tennessee e ainda houveram gravações no Marrocos.

    “No Vale das Sombras” deixou a desejar, mas ainda assim é válido pela sua boa técnica e atuações.

    NOTA (0 a 5): 3
    ***

  3. 3 vanessa novembro 6, 2008 às 1:38 am

    comentário wikipedia acima

    low do low


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