Longe Dela / Away From Her (Canadá, 2006)

Dentro do imenso grupo de melodramas, existe uma sub-categoria especial: o filme de doença, figurinha carimbada na programação do Hallmark Channel. É uma armadilha para o espectador mais suscetível; afinal, doença é tristeza, solidão, desamparo e, infelizmente, todos nós ou sofreremos ou veremos alguma pessoa querida sofrer. O filme de doença é uma das formas mais terríveis, vulgares e diretas de nos lembrar de nossa própria mortalidade. Mas Longe Dela supera estas pré-condições, trocando-as por um retrato sensível e terno de uma mulher que está desaparecendo, imersa no mal de Alzheimer.

Grant (Gordon Pinsent) e Fiona (Julie Christie) são um casal de terceira idade, sem filhos, que vive numa pequena e isolada casa no interior do Canadá. Quando Fiona começa a apresentar os primeiros sintomas de Alzheimer, insiste em ser internada em uma clínica, apesar da recusa de seu companheiro. Como a clínica exige que o paciente fique 30 dias sem visitas (para se acostumar a sua nova vida), Fiona simplesmente não reconhece Grant em sua primeira de muitas idas ao local. Como se toda esta situação não fosse suficiente, ela agora se interessa por outro interno da clínica, Aubrey (Michael Murphy), e trata o marido apenas como um grande amigo.

Estréia da atriz Sarah Polley na direção, Longe Dela é um drama maduro sobre memória, amor e relacionamentos. Grant insiste em suas visitas, mas logo descobre que pouco poderá fazer para que sua mulher se lembre dele. Isto lhe dá a oportunidade de observar Fiona ao longe, com um misto de encantamento, ciúme e tristeza que apenas o início de seu relacionamento com ela lhe proporcionara. Não é à toa que imagens antigas da jovem Fiona surgem em momentos-chave da narrativa, granuladas como se a memória fosse uma câmera Super-8. A ternura de Polley, no entanto, não significa condescendência, mas aceitação: seus personagens não são um modelo juvenil de romance idealizado. Quando a mulher de Aubrey, Marian (a ótima Olympya Dukakis), inicia um relacionamento com Grant, não o faz por vingança, simples desejo ou desespero: eles se unem pela solidão.

Com um final em aberto que pode desagradar àqueles que esperam uma resolução redondinha e simples, como se um filme tivesse a obrigação de ser telenovela, Longe Dela é uma das grandes surpresas de 2008 nos cinemas nacionais, uma produção delicadíssima e dolorosa.

Cotação: ****

Página no IMDB
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