Presságios / Knowing (EUA, 2008)

Alex Proyas é um diretor interessante e talentoso. Ficou famoso por motivos pouco nobres – a morte de Brandon Lee em O Corvo – e, desde então, dedica-se quase integralmente a ficção científica. Escreveu e dirigiu a ótima surpresa Cidade das Sombras e deu vida nova (apesar da produção atribulada) ao clássico de Asimov, Eu, Robô. Provavelmente, Presságios é seu filme de FC mais fraco, o que não significa que seja ruim. Pelo contrário.

Nos anos 50, uma estranha aluna de uma escola sugere que a turma faça uma cápsula do tempo, com desenhos rasbicados pelos alunos para que fosse desenterrada meio século a frente. Mas, ao invés d uj desenho, a pequena Lucinda Embry (Lara Robinson) escreve freneticamente uma sequência de números. Quando a cápsula é aberta em nosso tempo, o garoto Caleb (Chandler Canterbury) leva para casa onde mora com seu pai viúvo, o professor de astrofísica do MIT, John Koestler (Nicholas Cage), o papel de Lucinda. A princípio relutante, o professor descobre que os números são referências a desastres e tragédias passadas e futuras e tenta evitar que as profecias se realizem.

A premissa interessante é mantida acesa pelo brio do diretor, que vai acrescentando peças e mistérios num ritmo adequado, conseguindo prender a atenção do espectador. No entanto, o roteiro não voa muito alto, tornando-se logo uma ficção científica bem convencional, com um final manjado. Proyas sabe disso e trata de enfiar conflitos familiares, tensão e cenas de ação na medida perfeita para dar a sensação de que o filme é melhor do que parece – não é. Ainda assim, as sequências de desastres são fantásticas, de arrepiar em sua verossimilhança. Traindo a tendência de se criar cenas higienizadas, Proyas não nos poupa do horror a que são submetidas as vítimas de um acidente aéreo (não é spoiler: está no trailer…) e a outro desastre medonho, em terra.

Alguns comparam este filme a Os Esquecidos ou o ainda pior O Apanhador de Sonhos, mas a comparação é injusta – quem assistiu aos dois já deve ter entendido como este Presságios termina. Em primeiro lugar, porque a direção de Proyas jamais deixa o ritmo diminuir. Além disso, o roteiro dá algumas pistas sutis (uma delas está explícita nos primeiros minutos) sobre seu desenvolvimento, o que faz com que o final, embora faça a história rodopiar em torno de si mesma, acaba se encaixando bem. O que pode parecer interessante a alguns espectadores desavisados, no entanto, não passa de um dos grandes clichês da FC. Presságios perde pontos exatamente por isso, o que o torna, ao mesmo tempo, inteligente e esquecível. Mas ganha posições pela disposição em apresentar um obstáculo que não pode ser evitado ou revertido, levando a história e seus protagonistas a tragédia.

De qualquer forma, deve ser o melhor trabalho de Cage em anos – ainda fazendo o mesmo personagem de tantas outras produções. E, sim, a cabeleira maluca dele foi domada, finalmente.

Cotação: ***

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5 Responses to “Presságios / Knowing (EUA, 2008)”


  1. 1 thiago pera julho 18, 2009 às 9:46 pm

    Nicolas Cage na minha opinião já era…

    Sempre com essa cara de pastel de feira amanhecido e coma boca semiaberta..

    Mas essas cenas violentíssimas são sensacionais, nunca vi algo parecido antes!

    Em alguma coisa o Proyas inovou e acertou em cheio mesmo.

    Mas em resumo dá pra viver sem esse filme..

    • 2 Marcelo Lopes julho 19, 2009 às 1:50 am

      thiago,

      Essa foi a melhor definição que já li do Nicholas Cage. Será que o Cage acabou depois de Coração Selvagem e Despedida em Las Vegas, ou seja, logo depois de começar? Não sei, mas é um ator no piloto automático há anos e que escolhe muito mal seus papéis.
      Quanto ao Presságio, é um bom filme, só não é memorável. Proyas continua dirigindo muito bem e a decisão de representar a violência dos desastres de forma tão gráfica choca. Ele dá uma dimensão palpável aos eventos, ao contrário de um Roland Emmerich, que a gente não consegue levar a sério…
      Mas o finalzinho, para mim, continua bem previsível.

      Abs!
      Marcelo.

      • 3 thiago pera julho 22, 2009 às 2:49 am

        Ahh

        O último filme bom dele foi Senhor das Armas!!!

      • 4 Marcelo Lopes agosto 9, 2009 às 4:49 pm

        Thiago,

        Tem toda razão, O Senhor das Armas é muito, muito bom… Já a lista de bombas só aumenta: Motoqueiro Fantasma, Perigo em Bangcoc, O Vidente, O Sacrifício. Parece-me que no próximo filme, ele será um cavaleiro medieval que tem que escoltar uma suposta bruxa para seu julgamento. Será que o Rei Arthur admitiria aquela cabeleira na Távola Redonda?

        Abs!
        Marcelo.


  1. 1 Certa herança nerdista « Universo Tangente Trackback em maio 8, 2009 às 3:49 am

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