Transformers : O Lado Oculto da Lua / Transformers: Dark of the Moon (EUA, 2011)

Hollywood não preza pela lógica. Após a crise econômica de 2008, esperava-se que os produtores passassem a buscar o Santo Graal do cinema comercial: filmes relativamente baratos e que estourassem na bilheteria. Mas não é assim que funciona a cabeça deles. Os filmes ficaram mais caros, voltados a um público adolescente (o temível PG-13) e baseados em quantidades cavalares de ação e efeitos especiais. Neste cenário, os brinquedos da Hasbro acabaram se tornando uma das franquias mais rentáveis do cinemão recente. Capitaneados por Michael Bay e produzidos por Spielberg (é, todo mundo erra), no entanto, os três filmes são o melhor exemplo de tudo o que não se deve fazer num filme de aventura que já vi.

Nem sei se vale a pena dedicar muito tempo ao roteiro, quase inexistente, mas vamos lá: Sam Witwicky (Shia LaBeouf) salvou o mundo duas vezes, mas é um mané. Agora namorando Carly (Rosie Huntington-Whiteley), ele tenta conseguir um emprego enquando Bumblebee roda o mundo em missões militares ao lado de outros Autobots. A descoberta de uma nave enterrada na Lua, feita ainda em 1969, no entanto, vai revelar a existência de um antigo aliado e a presença dos inimigos Decepticons, ainda escondidos na Terra.

Mas nada disso importa. O sr. Bay não faz a menor ideia do que seja um roteiro minimamente aceitável. A história se move aos soluços e uma ação parece não ter consequência lógica alguma. Robôs gigantes andam por Washington como se estivessem num parque de diversões. Megatron chega ao cúmulo de se sentar na cadeira de Abraham Lincoln e não aparece um policial sequer para dar um tiro (e ser morto, claro). Há uma invasão de proporções gigantescas, mas apenas uma ou duas unidades do exército envolvidas e prontas para revidar. Os Autobots voam até a Lua em sua própria nave de forma autônoma, mas depois têm de usar um ônibus espacial acoplado a ela para saírem da Terra. Isso sem mencionar o absoluto descontrole do tempo em que se passa a ação – Dois dias? Uma semana? Acho que nem o diretor sabe ao certo.

No auge da picaretagem que é este filme, Michael Bay reaproveita, com toda a cara-de-pau do mundo, uma (boa, aliás) cena de ação de uma produção que quase deu certo: A Ilha. Sejamos sinceros: dirigir cenas de ação ele sabe fazer, e muito bem. Há energia genuína nelas, que são menos incompreensíveis do que nos episódios anteriores, muito provavelmente por culpa das exigências de se filmar em 3D. Mas ele continua um artesão grosseiro, bruto, sem um pingo de inspiração. É um mestre de obras, um funcionário padrão que cumpre o cronograma, faz o que os patrões exigem e entrega prédios medonhos que agradam ao público. Sucesso na certa. Por isso, é um diretor requisitado.

Transformers 3 é pensado por e para moleques de doze anos. As mulheres são sempre lindas e desejáveis (como bem disse a crítica do Omelete, se não fosse cineasta, o sr. Bay seria fotógrafo de calendário de borracharia), os carros reluzentes e possantes, os cenários grandiosos. Tudo é tão over que se torna vulgar logo nos primeiros minutos de projeção. Ainda somos obrigados a engolir insinuações de extremo mau gosto entre a realidade e a história do filme – por exemplo, logo no início os Autobots são identificados como guardiões da liberdade atacando uma base nuclear iraniana. Esta explicitude, esta boçalidade mal trabalhada, fazem de Transformers 3 o segundo filme mais estúpido, ofensivo, grosseiro e vulgar que vi nos últimos anos.

O primeiro na lista? Transformers 2.

Cotação: 0

Notas finais: Ainda estou tentando apagar de minha mente a rápida cena que faz referência a menina francesa Madeleine, sequestrada e desaparecida há anos. Espero que eu tenha entendido errado, porque se o filme relamente fez isso, é o fundo do poço Bayniano.

O trabalho da Industrial Light & Magic é, para dizer o mínimo, primoroso. Eu sempre defendo o pessoal de FX, que dá o melhor de si tanto numa obra-prima quanto numa bomba como esta. Infelizmente, desta vez, o resultado final ofusca o talento estratosférico dos técnicos e artistas envolvidos. E isso vale para a trilha sonora, pois o tema “Arrival to Earth” de Steve Jablomski, recriado aqui a exaustão, é excelente.

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