Lanterna Verde / Green Lantern (EUA, 2011)

Os filmes de super-heróis estabeleceram-se quase como um gênero a parte. Desde o final da década de 80, quando produções bem sucedidas (o Batman de Tim Burton) deram lugar a desastres inacreditáveis (os Batmans de Joel Schumacher), parte da indústria parece ter aprendido a lição, que na verdade é muito simples: são filmes como qualquer outro. Precisam de boa história, diretor, atores, produção; em suma, um cuidado que se refletiu em bons filmes como X-Men 1 e 2, o recente Capitão América, e eventualmente, nas mãos certas, rendeu uma obra superior, Batman – O Cavaleiro das Trevas. Infelizmente, os responsáveis por Lanterna Verde parecem ter se esquecido por completo destas lições.

Hal Jordan (Ryan Reynolds) é um piloto de caças tão ousado quando imprudente, o que o coloca em conflito com sua parceira de voo, Carol (Blake Lively). Escolhido por uma antiga ordem de seres espaciais , os Lanternas Verdes, responsáveis por manter a ordem no universo e protegê-los de ameaças, Jordan tem que provar sua importância lutando contra Parallax, uma forma de vida intergalática que se alimenta do medo – ponto fraco (não diga?) da tropa dos Lanternas Verdes.

Poucas vezes tive tanta preguiça em escrever uma crítica, até porque não há quase nada digno de nota em Lanterna Verde. É uma decepção e tanto, já que o personagem tinha o potencial de criar a tão almejada franquia que a Warner deseja para substituir Harry Potter. Mas, a depender deste longa preguiçoso, terão de tentar de novo. O eficiente diretor Martin Campbell (007 – Cassino Royale) parece interessado apenas no cheque, porque escolhe os ângulos mais óbvios e as soluções mais simples para cada sequência, falhando miseravelmente naquilo que o tornou famoso: habilidade de condução de boas cenas de ação. Até mesmo o design de produção é pouco inspirado: o planeta Oa, QG da tropa dos Lanternas, é frágil demais, simples demais. O roteiro move-se aos soluços, jamais dando uma solução adequada mesmo a personagens melhor construídos, como o vilão Hector Hammond (Peter Sarsgaard). Escrito a oito mãos, o resultado final é uma colcha de retalhos que pretende seguir o manual da jornada do herói sem novidade alguma e de forma atabalhoada. O sidekick do herói é esquecido na metade do filme, Jordan derrota o poderoso Parallax (que se parece com um pedaço de palha de aço enfurrajada que ganhou vida) sem uma explicação plausível para sua ascensão.

Diante destes problemas, o tão criticado Ryan Reynolds faz o que pode com o papel que lhe escreveram; nem é o maior equívoco do filme. Mark Strong está ótimo como Sinestro, Michael Clarke Duncan dá voz ao gigante Kilowog, e Geoffrey Rush a Tomar-Re com competência. Sarsgaard dá o tom certo de insegurança e crueldade a Hector. Mas as boas intenções são soterradas por um filme preguiçoso, mal escrito e sem graça ou charme. Até mesmo a sequência pós-créditos (Sinestro seduzido pelo anel amarelo) faz pouco sentido, porque em momento algum foi mostrado que o honrado e rígido líder da tropa sucumbiria a sedução da força do medo. Os fãs mais ardorosos podem até encontrar, aqui e ali, razões para defender o filme, mas é necessário mais força para isso do que a concentrada por todos os aneis da tropa.

Cotação: *

Página no IMDB

0 Responses to “Lanterna Verde / Green Lantern (EUA, 2011)”



  1. Deixe um comentário

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s





%d blogueiros gostam disto: